A rua TAMBÉM “é nóis”: A inspiração de mulheres da arte no projeto Perifa Resistência

por Maria Júlia Freitas

Por Brenda Nury

O Perifa Resistência @perifa.resistencia é um projeto que proporciona a interação da arte com os jovens da cidade, dando oportunidade para artistas mostrarem seu trabalho, seja ele no grafite, dança, poesia etc. O Projeto teve início em 2015 e de lá para cá vem se tornando uma vitrine de artistas e fomentando a cultura periférica da cidade, rodando nos bairros e deixando sempre uma quantidade expressiva de arte e cultura gratuitamente para a localidade.

Olhando com atenção o projeto, é possível ver a presença feminina em suas apresentações e oficinas. Na última edição contou com 3 artistas: As brasileiras Clementina educadora física e artista circense @amoraamarelaa de Volta Redonda, Ana Luiza , tatuadora e artista de grafite @analuizatattoo, de Barra Mansa, e a Argentina Fúria, artista de grafite @furiarte.latina , de passagem pela cidade.

É impressionante ver o poder que arte tem de tocar crianças e jovens neste projeto. Segundo Ana Luiza, que participa de seu terceiro mutirão, ver garotas se aproximando e querendo aprender demonstra a importância de se ter referencias femininas em espaços predominantemente masculinos. “Crescer acreditando que se pode fazer algo, é um grande passo para a liberdade artística e profissional.

Me sinto muito feliz em ver outras mulheres atuando, pois, compartilhar a presença feminina nos traz o conforto e a tranquilidade que procuramos como artistas”. Ainda segundo Ana, “O grafite parece algo apenas artístico, sendo tido como o oposto do que se produz na periferia; quando na verdade o que o torna belo e único é justamente ser produzido por um grupo periférico que não possui formação teórica ou prática, mas também por qualquer pessoa que queira se expressar.”

E fica muito claro o ganho que acontece na comunidade com a beleza que existe dentro de cada um em prol de todos e não apenas do ego de quem se considera artista.

Já Clementina Flor, sempre acreditou no movimento do corpo como uma ferramenta para desenvolver sua saúde física, mental e social. Hoje, atua como artista circense, que traz todos os benefícios do movimento do corpo não só para o artista, mas também para quem assiste. Segundo a artista, “Quando começou, foi um ambiente muito hostil, pois era ocupado majoritariamente por homens”. Ocupar os lugares e trazer novas mulheres estão entre seus movimentos atualmente. “Se não plantarmos essa semente, nunca estaremos, em número, nesses lugares”.

Com sua oficina de bambolê para crianças, consegue alcançar os três pilares que tanto preconiza, o físico, o mental e o social, desenvolvendo a ajuda mútua entre as crianças, o desenvolvimento motor e psicológico nos desafios propostos, descobrindo e ultrapassando limites. Ter referências femininas e mostrar que elas podem ser protagonistas de suas próprias histórias, torna a oficina um propulsor para mulheres da periferia.

É lindo ver como a força feminina penetra em ambientes masculinos para muito além de autoafirmação, o que já seria de muita ousadia e valor, mas o que vejo nestes espaços, são mulheres querendo impulsionar e mostrar que todas as meninas conseguem chegar aonde elas quiserem, se uma de nós chegar, certamente um caminho aberto para as outras estará traçado.

Obrigada por traçarem caminhos da cultura onde o estado fecha os olhos e deixarem uma estrada feita de arte, técnica e muita inspiração.

Parafraseando Emicida: “A rua TAMBÉM, é nóis!”

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