A força e amor na história de Bob Marley nos cinemas

por Maria Júlia Freitas

Por Brenda Nury

Terça-feira de carnaval, uma noite quente e minha passagem quase que nula pelos blocos da região me conduziu ao cinema para assistir o esperado “Bob Marley: One Love”.      Marley vagueia pelo imaginário coletivo entre a idolatria e o escárnio, com uma história pouco conhecida em relação a sua música que inunda o mundo até hoje. Ele conseguiu o que muitas crenças pregam a seus mensageiros da fé: “O mensageiro tem que se tornar a mensagem”, e como todo fã do cantor, não só por suas letras carregadas de mensagens, suas melodias únicas que nos carregam para momentos de reflexão e amor, mas também por sua postura diante de atrocidades e condução de uma massa de fãs e compatriotas que precisavam de sua presença quase que espiritual para guiá-los em meio a uma guerra civil na Jamaica, eu amei este filme do início ao fim. Não quero aqui dizer que o filme é um indicado ao Oscar, não me entendam mal, mas Bob Marley e The Wailers tocam na minha playlist o ano todo, então este não é um review técnico, mas um relato de quem sente na alma a música de Bob desde a primeira vez que ouvi.

O filme celebra a vida e a música do ícone que inspirou e inspira gerações através da mensagem de unidade a qual sua crença na religião Rastafári o inspirou. A música sempre foi uma parte importante da cultura Rastafári, e Bob Marley ajudou a popularizar a mensagem e o Reggae em todo o mundo. Suas letras muitas vezes incluem referências bíblicas e mensagens de esperança e redenção, o que fica muito claro no filme que tira toda uma cultura discriminada do lugar marginal que sempre foi colocada, para um lugar de respeito e paz.

O diretor Reinaldo Marcus Green, não poupa os fãs de momentos icônicos como o processo criativo de inúmeras músicas, seu período de fuga na europa e nos brinda com lembranças de shows onde Bob parecia flutuar no palco. Também é possível acompanhar todos os momentos do atentado que sofreu em sua casa.

O roteiro não coloca Bob como um ser divino, coloca suas fragilidades, seu machismo e suas nuances humanas como qualquer um de nós. Destaque para Lashana Lynch, que interpreta sua mulher e cantora da banda The Wailers, que acompanhou Bob por toda a sua carreira, Rita Marley e que tem papel fundamental em toda a vida e obra de Marley, o trazendo para o centro se sua própria mensagem quando sai de seu caminho “O homem não vê a mensagem se não está procurando”. Outro destaque é o figurino extremamente real dentro do estilo jamaicano e de Bob nos anos 70 e 80, um deleite pra quem ama a estética esportiva misturada com as cores e texturas da Jamaica. Sempre impecáveis com seus turbantes e vestidos, o trio de back in vocals da banda de Bob Marley é gracioso e potente, tal qual as mulheres de seu povo.

Este é um filme feito para os fãs, mas tenho certeza de que a história de Robert Nesta Marley vai encantar famílias inteiras em um enredo de superação de adversidades e uma jornada de um homem que com sua música foi capaz de revolucionar o sentido de unidade dos povos.

Saí do cinema extasiada, e muito feliz por Brad Pitt e a Família Marley terem concebido um filme tão respeitoso com a história de Bob Marley. Mesmo não existindo a possibilidade de sua música cair em esquecimento, um filme tem a capacidade de contar uma história que quase ninguém sabia em detalhes e agora está imortalizada. Salve a cultura fílmica e o poder que o cinema tem de contar histórias. Não poderia desejar um final melhor que esse para meu carnaval.

Você pode gostar

Deixe um comentário