Os caminhos e opções que a arte nos da

por Maria Júlia Freitas

Por Brenda Nury

Para quem vem de comunidade periférica, existem muitas não opções que são colocadas pela vida. Bruna Hellen, que é cantora, mulher preta e periférica, provavelmente experenciou quase todas as não opções que a Favela do Tatão, em Barra Mansa, poderia lhe prover. Musicista desde os 7 anos de idade, aos 12 já era professora de violão na igreja. Aos 15 passou a ser coordenadora do coral, mas, como um rio de água da chuva que desce as vielas que percorreu durante a infância, quase que sem escolha ela foi levada até a Universidade, onde se tornou Pedagoga e Produtora Cultural. Parece que a arte está sempre entre uma escolha e uma não escolha na vida do artista. Como um fardo pesado que a gente carrega para o outro e entrega junto com nossas não escolhas e vivências.

Em 2019, suas escolhas musicais e profissionais a levaram para o Festival de Música e Ecologia da Ilha Grande como melhor Intérprete, e que grande escolha a dos jurados! Em 2022, foi eleita Produtora da Batalha do Engenhão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Podemos dizer que, neste momento, suas batalhas pessoais e coletivas a levaram a uma escolha forçada, em nome de tudo o que construiu na militância regional em prol da arte.

De volta a nossa Região, Bruna Hellen canta, compõe, dança, declama, grita e milita por mim e por você, pairando entre as aulas de Canto Popular, Musicalização Infantil e o Projeto Samba do Abacateiro, que resgata canções autorais da Região Sul Fluminense.

Viver da arte nunca foi uma opção para ela, sempre foi um rio que corria em suas veias a mantendo viva, nas ladeiras da vida, sem ela mesma perceber. Porta-voz de histórias plurais como expressão maior de sua ancestralidade, trabalhando com o que ama e acredita, entregando parte do que é e o que não é aos corações, ouvidos, olhos e vida das pessoas. Axé!

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