Sobre órbitas literais que representem o povo negro

por Giulia Machado

Por Brenda Nury

Este mês temos uma data muito relevante para celebrar, que é o dia da Consciência Negra. É um dia para se lembrar da importância histórica que a luta dos quilombolas ocasionou nas gerações seguintes. Para que este dia não seja só mais uma data ou um feriado no mês, é importante que ações de sensibilização e valorização da cultura e do povo preto estejam presentes no nosso cotidiano. Por isso, durante este mês, a coluna de Cultura e Entretenimento do Diário Delas fará indicações de autores e autoras negros da nossa região, trazendo histórias e personagens que retratam a beleza, a história e a estética afro centrada em produções literárias e intelectuais.

Para iniciar muito bem este mês temos a honra de trazer a escritora, atriz e professora Mônica Melanie, de 30 anos, graduada em Direito, Artes e Letras, especialista em Educação Infantil, Atendimento Educacional Especializado, Docência no Ensino Superior, Direito Aplicado à Educação e graduanda em Psicopedagogia.

Para além dos inúmeros títulos acadêmicos de Mônica, em 2018 a escritora recebeu o I Prêmio Dandara e Zumbi dos Palmares em Volta Redonda, na categoria Artes Cênicas. Atualmente Mônica é diretora e cofundadora do Coletivo MuDarTe, fundadora da Cia Ohana e trabalha no município de Rio Claro com o Projeto OHANA de dramaturgia e dramatização. Escreveu os livros “Tantos (Re) versos” e seu primeiro livro infantil “O Sonho de Rosinha”, que recomendamos a nossas leitoras como uma ótima introdução à literatura infantil.

Segundo a autora, “O sonho de Rosinha” é uma história infantil onde Rosinha, uma menina negra, quer ser astronauta.

A história de Rosinha e seu sonho poderia facilmente ser a história da primeira astronauta negra Mae Jamison, que ultrapassou inúmeras barreiras e não teve nenhuma mulher antes dela para lhe servir de inspiração em seu cargo. Como muitas mulheres negras, ousou sonhar pra além do que os olhos viam.

Mônica escreveu uma história que se assemelha à história de muitas meninas que crescem em uma sociedade sem mulheres negras ocupando espaços de destaque. Porém, no mundo de Rosinha, a ancestralidade, sonhos e realizações estão em evidência, contando ainda com muitas músicas populares.

A autora, que esteve na última bienal do Livro do Rio de Janeiro, leva ao universo infantil aventuras sob um olhar de uma criança com a representatividade que, durante muitas décadas, não tivemos em nossos livros infantis.

Que nossa literatura nunca mais navegue por espaços siderais sem Rosinhas, Mônicas e Maes, pra que estejamos sempre em uma órbita onde todas as crianças tenham acesso à diversidade por meio da leitura e da cultura em geral.

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